Parece-me inevitável que qualquer obra realizada nos últimos 6 / 12 meses de um mandato seja considerada parte da estratégia política do candidato incumbente. Isso acontece na minha opinião porque:
- - de facto já foi usado como estratégia de campanha por muitos outros políticos em anos anteriores;
- - porque é impossível antever todas as questões operacionais que surgem durante um mandato e por isso nem tudo pode ser especificado num programa de candidatura;
- - porque uma percentagem bastante elevada de obras, mesmo que comecem a tempo e hora, correm o risco de se atrasar;
- - e também porque não há nenhum sitio (que eu conheça pelo menos) onde possa ver de uma forma sistemática todos os projectos/obras que a câmara tem em curso. Bastaria algo tão simples como uma listagem com nome do projecto/obra, descrição e diferentes datas desse projecto (início, conclusão fase1, …, entrega da obra).
Uma vez que as assembleias municipais onde, imagino eu, este tipo de informação poderia ser divulgado de forma sucinta e clara são de um acesso ultra-exclusivista (porque não permite um acesso fácil a mais do que 20/30 pessoas) uma das poucas formas que os munícipes têm para perceber o que vai sendo feito na cidade é acompanhar os orgãos de informação da própria Câmara, seja o site, seja a revista da Câmara. O problema desta opção é a sua parcialidade, no sentido de que transmite uma visão parcial (só com a óptica do Executivo) das coisas.
E se por um lado o Executivo se queixa que a RTP não dá o devido destaque às suas iniciativas, por outro lado parece achar, na minha opinião, que pode usar instrumentos de uma cidade (site da Câmara e jornal da Câmara) como parte da sua estratégia de campanha. Senão como explicar o contínuo aumento de páginas da revista da Câmara desde que ela se começou a publicar?

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As revistas em causa, sem excepção que conheça, não são informativas. São, de facto, essencialmente objectos de propaganda e/ou galeria de fotografias do presidente da câmara.
Compreende-se que assim seja mas não se pode ou deve aceitar. Mesmo dispondo de algumas limitações compreensíveis – enfim, falamos de política, é possível fazer muito melhor e fazer das revistas municipais instrumentos úteis de divulgar cada concelho.