Fomentar a transparência

Na semana passada o TAF dizia no seu twitterÉ impressionante como princípios _básicos_ de transparência na política são vistos com desconfiança pelas estruturas partidárias!“, a propósito da sua moção para colocar online o vídeo das assembleias municipais e que “foi derrotada por larga margem“.
Não consigo perceber que argumentos podem ser invocados para não aprovar uma medida que por exemplo Tomar e Redondo já usaram ou começaram a testar… (update 20100619 e também cascais) se alguém quiser apresentar alguns argumentos terei todo o gosto em tentar rebatê-los ou então assumir que realmente é uma má ideia.
Actualmente a única resposta que me ocorre é que como não é uma medida inovadora (porque até já é feita em concelhos de menor dimensão) então não interessa…

Quase na mesma altura uma pessoa que conheci do Brasil falava-me do site que foi criado no seu estado natal de Rio Grande do Sul que contém a informação de todos os gastos efectuados pelo Estado, e quando digo todos os gastos é mesmo todos, aparecendo os valores detalhados até praticamente ao nível da factura.
Lembro-me de há uns 7 anos ter feito uma aplicação do género para uma associação empresarial. Os gestores queriam saber se as receitas e as despesas estavam a seguir de acordo com o orçamentado e então compraram uma aplicação que detalhava toda essa informação indo desde a visão consolidada do grupo e diferentes empresas até à factura que tinha dado origem a essa despesa.

Numa organização pública, em que os contratos são públicos, em que os vencimentos são tabelados, em que os orçamentos são anunciados todos os anos não faz sentido aqueles que são provavelmente os principais “stakeholders” (para além de sermos stockholders) e que são os cidadãos não terem um acesso à moda do século xxi (online, completo, actualizado, atempado, referenciável, não proprietário, machine-readable) a essa informação. Alguns políticos podem ter medo dessa perspectiva porque acham que as pessoas vão interpretar mal esses dados… mas esquecem-se é que isso é uma oportunidade para explicar melhor aquilo que querem fazer com a “coisa pública”.

Este tipo de mudança é importante porque como dizia Raul Moreira Vidal na conferência Talks 2.0 (que podem ouvir no Porto em Conversa) um dos nossos problemas como sociedade é que ninguém confia em ninguém.
Referindo-se concretamente ao exemplo nórdico dizia que uma das diferenças para esses países era o facto de eles centrarem a construção da sociedade num principio que é a confiança, enquanto que em Portugal é o contrário.

por Vitor Silva



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