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Notas para um passeio transmontano 3/6

By vitorsilva on 2004-October-14

Miranda do Douro
1813 habitantes. Cidade do distrito de Bragança e da diocesa de Bragança e Miranda, sede de concelho e de comarca.
Fica no cimo de uma encosta um tanto abrupta, a 687 m de altitude, na alcantilada margem do rio Douro, olhando para a vastidão planáltica da margem esquerda do rio que se estende na direcção de Zamora e Salamanca.

A origem do povoado onde viria a edificar-se Miranda do Douro continua desconhecida, mas os poucos indícios arqueol?gicos até hoje encontrados parecem fazê-lo remontar a um castro da Idade do Bronze. Nos princípios do século VIII, os mouros escorra?aram os visigodos e ocuparam a povoação, dando-lhe o nome de Mir-Hândul. Mas tanto Leite de Vasconcelos como o Abade de Baçal defendem que Miranda deriva do verbo latino ?miror? (olhar de frente) geralmente associado a praças fronteiriças.
Para tentar povoar o local, D. Afonso Henriques, que a herdou de seus pais, vendo nela um ponto estratégico para a resistência ao poderia leonês, transformou a povoação em “couto de homiziados”, dando-lhes carta de foro em 1136. Mas foi D. Dinis, em 1286, quem elevou Miranda à categoria de vila, concedendo-lhe foral e mandando construir o castelo e a cercadura das muralhas, que ainda persiste. Já no século XVI, D. Manuel I mandou renovar o castelo e construir a Casa da Alfândega que serviu de quartel à Guarda Fiscal até à extinção da corporação, já nos nossos dias.

O período ?ureo de Miranda do Douro começaria em 1545, quando o Papa Paulo III fundou a diocese de Miranda e, logo de seguida, o rei D. João III a elevou à categoria de cidade. Em pleno Renascimento, esta promoção haveria de constituir incentivo para o desenvolvimento económico e cultural. E também religioso: logo em 1552 se lança a primeira pedra para a obra da catedral cuja construção iria levar 50 anos -, assistindo-se à renovação do tecido urbano da cidade, uma boa parte do qual ainda hoje se pode apreciar, passados mais de quatrocentos anos.

Do castelo restam actualmente apenas as poucas ruínas que subsistiram à explosão dos paióis de pólvora em 1762, quando a cidade se encontrava cercada (admite-se que tenha havido traição), em redor da antiga praça de armas e da torre de menagem medievel, que, apesar de ter sido desmantelada, mostra ter sido uma fortaleza possante.
Por bula de 27 de Setembro de 1780 a sua diocese ficou unida à de Bragança com o bispo a residir nesta cidade, mas mantendo a igreja matriz de Miranda a categoria de Sé, ficando a diocese a denominar-se “de Bragança e Miranda”.

A recente construção da sua grande barragem hidroeléctrica, que permitiu o acesso a Espanha, fez com que nela se desenvolvesse notavelmente o comércio.
Aliás, na área do concelho encontram-se dois dos maiores empreendimentos hidroeléctricos portugueses ambos situados no troço do Douro internacional. A barragem de Miranda, construída junto a um brusco cotovelo do rio, dista apenas 1 km da Sé; iniciadas as obras em 1956, o primeiro grupo de geradores entrou em funcionamento no mês de Agosto de 1960; a barragem mede de coroamento 263 m, sendo de 80 m a sua altura acima das fundações; a potência total dos três geradores é de 174 MWh.

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