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	<title>OsMeusApontamentos &#187; ambiente</title>
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		<title>Ecologia</title>
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		<pubDate>Tue, 25 May 2010 16:27:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vitorsilva</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pag.120 Ribeiro Telles &#8211; A ecologia surgiu como a ciência que estuda as relações entre os seres vivos e entre estes e os seus habitats A visão renascentista da Natureza tinha-se interessado principalmente pela classificação sistemática das espécies animais e vegetais tendo em atenção, especialmente, as particularidades morfológicas de cada uma. A Natureza tinha deixado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pag.120<br />
Ribeiro Telles &#8211; A ecologia surgiu como a ciência que estuda as relações entre os seres vivos e entre estes e os seus habitats<br />
A visão renascentista da Natureza tinha-se interessado principalmente pela classificação sistemática das espécies animais e vegetais tendo em atenção, especialmente, as particularidades morfológicas de cada uma. A Natureza tinha deixado de ser compreendida como uma unidade animada pela vida para passara a ser empacotada em gavetas correspondentens a cada género e a cada espécie. A alma e a unidade da visão grega tinham-se perdido.<br />
Mais tarde, o evolucionismo estabeleceu uma relação vertical entre as diferentes espécies, tendo mesmo procurado reencontrar troncos ultrapassados pelo tempo e pelas modificações ambientais.<br />
A ecologia vem refazer a ideiade unidade, relacionar a depend~encia de umas espécies com outras, investigando e relacionando cadeias alimentares e nichos perenes ou temporais indispensáveis ao processo da vida. Vem estabelecer o conceito de equilíbrio biológico, em cada lugar, como meta a atingir pela própria dinâmica natural.<br />
Como ciência, a ecologia surge num momento em que o crescimento da população mundial e o desgaste, ou mesmo a destruição, dos recursos naturais pareciam conduzir a Civilização a um fim trágico. Se bem compreendida, ela constituiria o caminho que, a seguir-se, poderia reencontrar a harmonia entre a Humanidade e a Natureza. Para isso havia que travar o aumento da população mundial e o crescimento da economia.<br />
Tais ideias abrem lugar a uma política ecológica e a uma nova ideologia que exige a transformação das mentalidades. Ideologia que não responde a todas as utopias da inquietção humana nem ao pragmatismo dos programas de acção política que, para cada tempo, proclamam a justiça e pugnam pelo progresso A ideologia ecológica, para muitos, é um retrocesso à Natureza.<br />
Mas que lugar terá o Homem, em face duma política baseada nos princípios ecológicos? Deverá procurar um lugar imposto pela sua condição biológica, ou seja, inserido na cadeia ecológica como um dos seus elementos? Ou, pelo contrário, deverá impor-se como o centro de todas as mudanças, apesar de não poder libertar-se da condição biológica essencial à sua existência?<br />
Considero impensável a integração do homem na Natureza como mero elemento da cadeia ecológica de dependências, tal como pretende uma &#8220;ecologia profunda&#8221;, fundamentalista.<br />
Há muito que as comunidades humanas vêm criando, muitas vezes sabiamente, paisagens em que o respeito pelas Leis da Natureza e pela biodiversidade são primordiais. Há muito que a Natureza sofreu ou beneficiou com a actividade humana. A responsabilidade do Homem para com a Natureza deve ser criativa porque lhe poderá dar formas mais convenientes e intensificar a actividade biológica dos sistemas ecológicos,  mesmo dos impostos pelas suas necessidades, mas sempre respeitando aquelas leis.<br />
A paisagem, criação humana, tem como paradigma a beleza, a biodiversidade e o equilibrio, o que exige a regeneração dos recursos vivos. Não nos devemos esquecer que a fertilidade do Éden e a imagem do paraíso perdido serão em cada época o sentido da busca e o &#8220;eco&#8221; ideial da Humanidade. Entre a &#8220;ecologia reformista&#8221; e a &#8220;ecologia profunda&#8221; propomos a &#8220;ecologia humanista&#8221;.</p>
<p>pag.122<br />
Ribeiro Telles &#8211; A ecologia política, como ideologia, mais que dos problemas do relacionamento dos homens entre si, remete para uma ética do relacionamento dos homens com a Natureza, da qual depende a existência de vida na Terra. É mais uma cultura de vida do que um contrato social. Daí resulta a dificuldade de cirar um partido ecologista ao lado de partidos não ecologistas ou antiecologistas mais preociupados com o curto prazo e com o bem-estar material da sociedade, em cada momento, do que com o futuro.<br />
No entanto, a ecologia aplicada, através do ordenamento da paisagem, deverá ser considerada tão básica no desenvolvimento económico e social como a democracia o é no plano político. O entendimento entre os homens e destes com a Natureza é fundamental para se encarar com esperança o futuro.</p>
<p>in, Ecologia e Ideologia<br />
Domingos Moura, Francisco Ferreira, Francisco Nunes Correia, Gonçalo Ribeiro Telles, Viriato Soromenho-Marques<br />
Livros e Leituras, 1999</p>
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		<title>A esquerda e a direita</title>
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		<pubDate>Sat, 22 May 2010 16:26:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vitorsilva</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pag.95 Nunes Correia &#8211; (&#8230;) O que será de esquerda? A ideia de um património comum é cara à esquerda. O domínio público, o bem público, a salvaguarda e a gestão desse bem público é algo que cola melhor com a esquerda. Embora a forma como a esquerda o procura fazer me pareça, por vezes, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pag.95<br />
Nunes Correia &#8211; (&#8230;) O que será de esquerda? A ideia de um património comum é cara à esquerda. O domínio público, o bem público, a salvaguarda e a gestão desse bem público é algo que cola melhor com a esquerda. Embora a forma como a esquerda o procura fazer me pareça, por vezes, controversa. Surpreendentemente, porém, as palavras conservar, preservar, são, com maior frequência, integradas num léxico de direita. É o sentido da conservação. É o sentido da preservação. De direita será, igualmente, a exaltação da ruralidade. Tal como será de direita o reconhecimento da relevãncia dos mecanismos económicos na regulação das questões ambientais. Embora, no discurso ambientalista, este último aspecto apareça indiferentemente à esquerda e à direita, julgo mais consentânea com uma postura de direita a assunção de uma lógica de mercado, a distribuição de incentivos económicos, etc.</p>
<p>Pag.99<br />
Soromenho-Marques &#8211; (&#8230;) Antes de haver esta classificação de esquerda e de direita, a filosofia política definia-se por dois valores diferentes. Havia políticas baseadas no primado da liberdade sobre a segurança e políticas baseadas no primado da segurança sobre a liberdade. Um modelo hobbesiano, com a segurança a anteceder a liberdade e um modelo lockeano com a liberdade a anteceder a segurança.<br />
Por questões muito complexas, temos sido incapazes de produzir um modelo claro, num sentido ou noutro. Em Portugal, as políticas da liberdade remetem, normalmente, para o individualismo mais serôdio. E as políticas de segurança conduzem à construção de um aparelho de Estado que não é centralista, mas é fortemente ineficaz e fortemente burocrático. A esquerda afeiçoou-se a este tipo de aparelho de Estado. E não só a esquerda porque, também nos sectores empresariais, se detecta uma tentativa constante de reclamar fundos públicos.</p>
<p>in, Ecologia e Ideologia<br />
Domingos Moura, Francisco Ferreira, Francisco Nunes Correia, Gonçalo Ribeiro Telles, Viriato Soromenho-Marques<br />
Livros e Leituras, 1999</p>
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		<title>A Ecologia na Politica</title>
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		<pubDate>Mon, 17 May 2010 16:25:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vitorsilva</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pag.89 Soromenho-Marques &#8211; Em Portugal, e custa-me dizê-lo porque foram muitos anos da minha vida que a isso dediquei, a eventual criação de um partido ecologista carece de justificação. Por razões conjunturais e estruturais. Verificou-se, em Portugal, uma conjugação desfavorável à causa de um partido ecologista, isto é, a explosão do movimento ambientalista coincidiu com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pag.89<br />
Soromenho-Marques &#8211; Em Portugal, e custa-me dizê-lo porque foram muitos anos da minha vida que a isso dediquei, a eventual criação de um partido ecologista carece de justificação. Por razões conjunturais e estruturais.<br />
Verificou-se, em Portugal, uma conjugação desfavorável à causa de um partido ecologista, isto é, a explosão do movimento ambientalista coincidiu com a explosão democrática. Poder-se-ia pensar que, da mesma maneira como permitiu a Portugal reencontrar os restantes países da Europa democrática, com os seus partidos, as suas organizações sindicais, etc., o 25 de Abril de 1974 seria também um incentivo a que, no seio dos novos mocimentos sociais, se desencadeassem forças capazes de adoptar um modelo de partido. Não foi assim. No caso português, os velhos, os convencionais movimentos sociais, esgotaram o espaço político-partidário, de uma forma consistente. Tirando proveito, aliás, de uma legislação que os favoreceu por completo.	</p>
<p>Pag.91<br />
Francisco Ferreira &#8211; A actuação política das ONG, no sentido de procurar marcar a agenda, faz-se, por outro lado, de uma forma múltipla. Não se limita à comunicação social. Faz-se, via lobby, junto dos decisores. Faz-se, directamente, junto da opinião pública, junto do Governo, junto dos partidos políticos. Mas o seu principal mérito advém, sem dúvida, dessa possibilidade de se situar no médio e no longo prazo. De determinar a agenda no médio e no longo prazo. As ONG podem pronunciar-se, pontualmente, sobre impactes ambientais, sobre ocupação de leitos de cheias, por exemplo. Para além de múltiplas propostas sobre aspectos precisos, assumem, porém, posições de mais longo alcance. Quando olham criticamente para o ordenamento do território. Quando avaliam um PDM, Quando comentam um projecto de lei. Quando denunciam o eventual incumprimento de disposições legais. Assim, ao longo de um tempo que, naturalmente, extravasa ciclos eleitorais, vão-se conseguindo ganhos de agenda. De uma forma eficaz, por vezes, menos visivel. Mas, nem por isso, menos eficaz.<br />
Evidenciar o papel da ONG não significa instituí-las em proprietárias da intervenção pública no ambiente, o que implicaria uma certa desresponsabilização dos outros agentes. </p>
<p>in, Ecologia e Ideologia<br />
Domingos Moura, Francisco Ferreira, Francisco Nunes Correia, Gonçalo Ribeiro Telles, Viriato Soromenho-Marques<br />
Livros e Leituras, 1999</p>
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		<title>O Movimento Ambientalista #2</title>
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		<pubDate>Sat, 15 May 2010 12:59:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vitorsilva</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pag.72 Soromenho-Marques &#8211; (&#8230;) Regresso ao movimento ambientalista para afirmar que, independentemente da existência de graus diferentes de adesão, há consensualidade quanto à compreensão dos limites do Estado. Uma contestação do Estado? Se quiserem. Mas uma contestação bem diferente da antiga contestação anarquista, na medida em que os anarquistas desconfiavam do Estado porque acreditavam no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pag.72<br />
Soromenho-Marques &#8211; (&#8230;) Regresso ao movimento ambientalista para afirmar que, independentemente da existência de graus diferentes de adesão, há consensualidade quanto à compreensão dos limites do Estado. Uma contestação do Estado? Se quiserem. Mas uma contestação bem diferente da antiga contestação anarquista, na medida em que os anarquistas desconfiavam do Estado porque acreditavam no poder do Estado. O que acontece, hoje, no movimento ambientalista é que as pessoas desconfiam do Estado por causa da sua ineficácia. Acreditam que podem fazer melhor do que o Estado. E é verdade que podem. Não se trata de substituir o Estado. Trata-se de reconhecer que o Estado é um instrumento muito vulnerável. Que o Estado tem menos poder do que as organizções supra-estatais como a União Europeia. Do que muitas organizações económicas.</p>
<p>Pag.74<br />
Soromenho-Marques &#8211; (&#8230;) O que me torna cidadão é a possibilidade de intervir na vida comunitária. E a minha comunidade é a portuuesa, garantida pelo Estado português. Do ponto de vista normativo, a crítica do Estado não implica deitar fora o Estado. Pelo contrário. O que está em questão é enriquecê-lo graças ao contributo de todas as formas de democracia. Da democracia participativa e directa à democracia representativa qualificada.</p>
<p>Pag.76<br />
Nunes Correira &#8211; Os movimentos ambientalistas, como grupos de pressão, devem actuar junto das estruturas políticas, quer directamente quer através da opinião pública. Em suma, não se deve converter a ecologia na sede da política. Deve, outrossim, levar-se a ecologia à política, de modo a que esta se torne a sede de uma práxis ecológica.</p>
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		<title>O Movimento Ambientalista #1</title>
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		<pubDate>Thu, 13 May 2010 15:58:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vitorsilva</dc:creator>
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		<description><![CDATA[pag.60 Ribeiro Telles &#8211; Também atribuo às organizações ambientalistas um importante papel de lubrificação. Mas lubrificar o quê e com que objectivos? Considero, por outro lado, que o bem comum é determinável em cada lugar, em cada momento, em cada caso concreto. De contrário, não passaria de uma utopia. É grave imaginar-se que da globalização [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>pag.60<br />
Ribeiro Telles &#8211; Também atribuo às organizações ambientalistas um importante papel de lubrificação. Mas lubrificar o quê e com que objectivos? Considero, por outro lado, que o bem comum é determinável em cada lugar, em cada momento, em cada caso concreto. De contrário, não passaria de uma utopia. É grave imaginar-se que da globalização possa automaticamente nascer o bem em cada sitio do planeta. Veja-se o que se passa nas monstruosas cidades africanas atormentadas pela fome. A primeira coisa a fazer para o bem daquela gente que não tem trabalho, que ali se acumulou e ali vive, marginalmente, é prover à respectiva alimentação. Mas a alimentação não pode vir de avião. Terá que resultar de uma anel agrícola que envolva essas cidades. Recria-se, assim, uma situação histórica e tradicional em que urbs e agger constituíam uma unidade, sem nenhum fosso a separar.<br />
(&#8230;) Importa restaurar a unidade urbs/agger, a exemplo dos moradores numa das avenidas principais de S. Francisco que, chamados a pronunciar-se sobre o tipo de jardins a implantar entre os seus prédios, por sinal bem altos, responderam que não queriam jardins mas hortas. Estas, destinar-se-iam ao abastecimento de mercados locais, condição indespensável, na opinião dos moradores interrogados, para a luta contra o fast food e, por extensão, contra a obesidade.<br />
A unidade urbs/agger é, pois, um problema do século XXI. É um problema da sociedade do futuro.</p>
<p>pag.68<br />
Francisco Ferreira &#8211; Acho que muitas pessoas encaram o movimento ambientalista como a forma mais directa de assumirem a cidadania. Consideram que os mecanismos de participação tradicional não funcionam. Chegam à conclusão que a capacidade de intervenção do movimento ambientalista acaba por ser superior, em determinadas vertentes, ao próprio Estado.</p>
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