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	<title>OsMeusApontamentos &#187; passear</title>
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		<title>notas para um passeio transmontano &#8211; anexo I &#8211; arquitetura</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Oct 2004 11:50:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vitorsilva</dc:creator>
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		<category><![CDATA[arquitectura]]></category>
		<category><![CDATA[Ernesto Veiga de Oliveira]]></category>
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		<description><![CDATA[in Arquitectura Tradicional Portuguesa ISBN 9722023977 Autor(es) Oliveira, Ernesto Veiga de Editora Dom Quixote A casa popular transmontana, embora incluída na categoria geral da casa nortenha, de pedra, de rés-do-chão e andar funcionalmente distintos, e com a varanda e escada exterior, apresenta aspectos muito diversos da casa do Noroeste atlântico, e pode-se considerar uma forma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>in<br />
<a href="http://www.dquixote.pt/Livre/Ficha.aspx?id=661"> Arquitectura Tradicional Portuguesa</a><br />
ISBN 9722023977<br />
Autor(es) Oliveira, Ernesto Veiga de<br />
<a href="http://www.dquixote.pt">Editora Dom Quixote</a></p>
<p>A casa popular transmontana, embora incluída na categoria geral da casa nortenha, de pedra, de rés-do-chão e andar funcionalmente distintos, e com a varanda e escada exterior, apresenta aspectos muito diversos da casa do Noroeste atlântico, e pode-se considerar uma forma própria característica, postulando talvez a natureza específica de certos elementos e mesmo o exclusivismo das suas origens. Como naquela, na casa transmontana o rés-do-chão destina-se a arrecadações e lojas de gado.<br />
As casas grandes, ou aquelas que se encontram isoladas das demais, possuem, como traço característico, um pátio que fica ao lado ou no meio da casa, e para onde dão as lojas, e onde se acumulam os estrumes, e que leva o nome de curral ou curralada.<br />
Quando é lateral, a curralada abre para a rua por um portal de dois batentes que se segue à fachada da casa e faz a serventia de animais e carros; e em redor dela dispõem-se certos anexos, palheiros, o cabanal de recolha de alfaias e carros, etc.; e por vezes também a passagem para uma horta ou cortinha.<br />
O material de construção predominante é o xisto. São dignas de menção especial as colunas feitas de pequenos blocos ou lascas desta pedra, de forma cilíndrica ou ligeiramente cónica, como suportes de varandas ou alpendres, que se usam em grandes áreas desta província.<br />
<img src="http://blog.osmeusapontamentos.com/img/casatransmontana_1.gif" alt="" /><br />
<span id="more-177"></span><br />
A escada, como dissemos, é normalmente exterior, de pedra, e conduz sempre à varanda ou, em casos típicos, a um patamar de entrada. Nas casas arruadas ela situa-se quase sempre na frontaria, partindo da rua, encostada ou perpendicular é parede.<br />
Nas áreas de xisto os degraus são muitas vezes de placas desse material, de um aparelho extremamente tosco.<br />
<img src="http://blog.osmeusapontamentos.com/img/casatransmontana_2.gif" alt="" /><br />
Em Trás-os-Montes, embora sejam frequentes os telhados de quatro águas, especialmente em casas isoladas ou de maior vulto, predominam os de duas águas, que são em geral compridas e pouco inclinadas. Mas, como já tivemos ocasi?o de notar, estes telhados diferem essencialmente dos telhados do mesmo tipo, da zona atl?ntica serrana, de colmo, com c?peas e guarda-ventos. Em certas aldeias, as casas contáguas mostram muitas vezes um telhado seguido é quase único -, que as recobre a todas ou parte delas.<br />
A cobertura, na maioria dos casos, é de telha, pelo menos actualmente; mas são numerosas as zonas onde ela é de placas de xisto.<br />
Na área do xisto são frequentes os beirais deste material, sobre os quais assenta a telha; e mesmo nas zonas de contacto vêem-se casas com paredes de granito que têm esses beirais de xisto.<br />
Estes telhados não mostram quaisquer elementos decorativos, e mesmo as chaminés são raras e de divulgação recente. dão a estas o nome de chupões ou bueiros, e são geralmente baixas, com a forma de paralelepípedos estreitos, ou, muito mais raramente, de pirâmides truncadas. Onde a cobertura é de xisto é também desse material que se fazem os chupões; nos outros casos eles são normalmente de chapa.</p>
<p>O elemento fundamental destas casas, e que marca sem dúvida a sua originalidade, é a varanda, que se pode considerar de uso absolutamente geral, e que, embora comparável à varanda da casa do Noroeste, mostra características próprias e especiais.<br />
A varanda não tem lugar definido na casa transmontana.<br />
Nas casas com curralada lateral, a varanda situa-se na fachada que dá para esse lado, e a escada que ascende a ela nasce do portal alpendrado e pode dispor-se no seu prolongamento encostada aquela fachada, ou perpendicular a ela, a meio ou num dos seus topos.<br />
A varanda é sempre coberta pelo telhado ou por um seu prolongamento; quando ela é comprida, o frechal que lhe corresponde pousa em prumos que se erguem do peitoril, geralmente simples barrotes de madeira postos ao alto, com cachorros do mesmo material, por vezes rudimentarmente decorados, outras disfarçados sob galerias de fantasia; mas, em casos mais raros, esses apoios podem ser belas colunatas de pedra.<br />
Com grades ou resguardos, estas varandas podem mostrar apenas um varal horizontal, apoiado em prumos espaçados ou em balaústres, que podem ser lisos ou vazados e abertos em arabescos e desenhos vários, ou ainda em grades de ferro, simples ou com lavores. Em certas regiões usam-se também grades de ripas ou uma vedação de tábuas de forro. Nas casas urbanas, onde a varanda é também o elemento característico, a grade é geralmente de balaústres lisos.<br />
Quando as casas têm mais do que um andar sobradado, encontra-se geralmente no último uma varanda que, normalmente, é estreita. não é raro mesmo verem-se varandas sobrepostas, ás vezes de tipos diversos, nos dois ou mais andares de prédios.<br />
A varanda no andar superior e uma solução frequente na casa urbana transmontana, nas cidades e vilas da província, e até em certas aldeias de feição urbana. E o costume tém uma força tão grande que se vêem varandas que se elevam acima do telhado ligadas à casa apenas por uma porta que abre para o sótão.<br />
Pela sua função e forma geral, a varanda transmontana aproxima-se, como dissemos, da varanda minhota. Num caso como no outro, os antigos &#8220;nela espadelaram e fiaram o linho, seroaram no Verão, secaram o cereal, estenderam a roupa, guardaram a alfaia, rezaram o terço, fizeram as bodas&#8221;; ela serve de refúgio no Verão, de repouso nocturno, de agasalho no Inverno; e até nela se põem os vasos de flores que o povo tanto aprecia. Mas ela é essencialmente diferente daquela: enquanto a varanda minhota é larga e assenta normalmente em grandes pilares e padieiras de granito, a transmontana é toda de pau. A varanda minhota é, na verdade, um anexo da lavoura; em Trás-os-Montes, para lá desse aspecto, que tem ali?s grande relevo, ela é uma parte integrante da casa, relacionada além disso com a vida doméstica e colectiva da aldeia; a varanda transmontana tem a mesma natureza, em ambos os casos, e sobretudo na varanda alta e estreita é desconhecida no Minho -, sobreleva mesmo o carácter urbano.<br />
<img src="http://blog.osmeusapontamentos.com/img/casatransmontana_3.gif" alt="" /><br />
Interiormente a casa transmontana não apresenta quaisquer particularidades distintivas. Como na área atlântica nortenha, também aqui a cozinha é a divisão essencial da casa, onde decorre o mais importante da vida de relação familiar. Ela situa-se geralmente no andar, e, como a chaminé é rara, é de telha-vã, para permitir a saída do fumo. Na ponta extrema do nordeste da província a cozinha é frequentemente mais pequena e o lar fica, em certas regiões, no centro do compartimento. Ela abriga, como no Minho, geralmente o forno; mas nas aldeias serranas onde se conservam costumes comunitárias o forno caseiro não existe, porque toda a gente coze no forno comum do povo.<br />
Como no noroeste, também na cozinha transmontana se vê sempre, ao lado da lareira, um grande banco é o escano.<br />
É usual na cozinha transmontana o cubo ou embódio, funil que comunica com a pia dos porcos, no rés-do-chão, por onde se lança a vianda para esses animais.</p>
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		<title>Notas para um passeio Transmontano 6/6</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Oct 2004 22:25:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vitorsilva</dc:creator>
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		<description><![CDATA[De volta a Vimioso Em Azinhoso, depara-se-nos uma igreja românica do século XIII; de uma só nave, apresenta uma frontaria espaçosa com pórtico castiço na sua singeleza e um amplo frontão sineiro. Penas Roias, conserva o seu velho pelourinho e uma esguia torre quadrangular em ruínas, que é o que resta da fortaleza construída sobre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>De volta a Vimioso<br />
Em Azinhoso, depara-se-nos uma igreja românica do século XIII; de uma só nave, apresenta uma frontaria espaçosa com pórtico castiço na sua singeleza e um amplo frontão sineiro.</p>
<p>Penas Roias, conserva o seu velho pelourinho e uma esguia torre quadrangular em ruínas, que é o que resta da fortaleza construída sobre um morro que proporciona uma vista de dilatados horizontes.</p>
<p>Algoso foi outrora poderosa cabeça de um vasto concelho distinguido com forais e privilégios, chegando a abranger vinte povoados. Domina a ribeira de Angueira, afluente da margem esquerda do rio Sabor. Toda a sua história antiga está ligada à do altivo castelo erguido num promontório fragoso e alcantilado, a 681 m de altitude, pelo guerreiro Mendo Rufino que o deu a D. Sancho I em troca do senhorio de Vimioso. D. Sancho II concedeu Algoso, em comenda, à Ordem do Hospital que ali permaneceu durante séculos. Em 1710 os espanhóis saquearam e queimaram a vila de Algoso mas não conseguiram assenhorear-se dela. Do inexpugnável castelo, suspenso sobre o abismo, subsiste uma torre de onde se avista um panorama soberbo mas agreste. A igreja românica, com as armas reais, apresenta uma torre sineira digna de nota. A freguesia tem ainda a capela de Nossa Senhora da Assunção (ou do Castelo) e a Capela de São Roque. Em frente dos antigos Paços do Concelho podem ver-se o pelourinho e as ruínas do Solar dos Távoras.</p>
<p>Izeda, com os seus 1161 habitantes é a mais populosa povoação rural de todo o concelho de Bragança; foi vila até 1855.</p>
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		<title>Notas para um passeio Transmontano 5/6</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Oct 2004 22:19:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vitorsilva</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Mogadouro 2679 habitantes. Vila do distrito e diocese de Bragança, sede de concelho e de comarca; dista 91 km da sede de distrito. Situada a 775m de altitude, a parte antiga fica ao redor dum pequeno morro onde se ergue o castelo; a parte moderna ocupa uma esplanada espa?osa. De origem árabe como o topónimo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mogadouro<br />
2679 habitantes. Vila do distrito e diocese de Bragança, sede de concelho e de comarca; dista 91 km da sede de distrito. Situada a 775m de altitude, a parte antiga fica ao redor dum pequeno morro onde se ergue o castelo; a parte moderna ocupa uma esplanada espa?osa.</p>
<p>De origem árabe como o topónimo sugere, recebeu foral de D. Afonso III em 1272 e em 1297 foi doada por D. Dinis aos Templários; passou a ser da Ordem de Cristo em 1319 e da família dos Távoras a partir do século XV. Do outrora castelo possante, que se erguia dominador sobre vastos horizontes, resta uma torre de faces rectangulares. A antiga igreja matriz, situada no sopé do cabeço, é um templo quinhentista de uma só nave, com altares de talha barroca. Serve de igreja paroquial, porque mais espaçosa e central, a igreja do antigo convento franciscano (séculos XVI-XVII) destruído por um incêndio a meados do século XIX, tendo o seu local sido ocupado pelos actuais Paços do Concelho.</p>
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		<title>Notas para um passeio Transmontano 4/6</title>
		<link>http://blog.osmeusapontamentos.com/index.php/2004/10/19/notas-para-um-passeio-transmontano-46/</link>
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		<pubDate>Tue, 19 Oct 2004 23:10:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vitorsilva</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Miranda do Douro &#8211; Mogadouro A barragem do Picote, situada num impressionante estrangulamento do rio, começou a ser constru?da em Agosto de 1954, e começou a funcionar e, Janeiro de 1958; a barragem tem a altura de 100 m e mede no coroamento 92,30 m, sendo a potÊncia dos três geradores da ordem dos 180 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Miranda do Douro &#8211; Mogadouro<br />
A barragem do Picote, situada num impressionante estrangulamento do rio, começou a ser constru?da em Agosto de 1954, e começou a funcionar e, Janeiro de 1958; a barragem tem a altura de 100 m e mede no coroamento 92,30 m, sendo a potÊncia dos três geradores da ordem dos 180 MWh.</p>
<p>Na aldeia do Picote situa-se o Barrocal, um bairro construído nos anos 70, de estilo modernista, um exemplo arquitectónico muito conhecido e visitado por estudantes de todas as escolas de arquitectura e objecto destacado nas íltimas &#8220;Jornadas Transfronteiriças de Bioconstrução e Arquitectura Tradicional em Trás-os-Montes&#8221;</p>
<p>POUSADA<br />
&#8220;(&#8230;) Encontrei nas arquitecturas das barragens do Alto Douro a mais radical manifestação da Modernidade que até hoje vi em Portugal, a que estava a ser renovada, mesmo antes de se ter manifestado, como aqui, na pujança mais abstracta ou mais plástica. Primeiro a própria barragem, depois os equipamentos t?cnicos e finalmente as áreas residenciais. Todo este sistema se constitui de forma totalmente auto-suficiente. Separa-se ostensivamente dos povoamentos existentes e dos terrenos lavrados, recusando qualquer relação funcional ou formal com essa realidade. Procura terrenos selvagens, agrestes ou pedregosos para sobre eles implantar o seu novo mundo de utopia tecnológica.(&#8230;)&#8221;<br />
POÇO DE ACESSO<br />
&#8220;(&#8230;) A colaboração entre arquitectos e engenheiros vai revelar-se uma conquista preciosa pela consciência da importância do rigor, das sínteses eficazes com vista a objectivos preciosos e bem determinados para uns, mas também pela compreensão do valor da arte e da possível compatibilidade com a poética criadora na realização das grandes obras de engenharia.<br />
(&#8230;) A mim emociona-me particularmente todo o conjunto de Picote, das instalações técnicas da barragem, ao novo aldeamento com igreja, Centro Comercial, Escola, Casas dos operários Casas dos engenheiros, Pousada, T?nis, Piscina, etc. Arquitectura geométrica, modulada, afirmativa, de forte presença visual. Mas sempre articulada com as linhas da paisagem, numa sabedoria de implantação atenta ás formas naturais que parece directamente herdada da tradição helenística, como se fazia na construção de cidades como o Porto. (&#8230;)?</p>
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		<title>Notas para um passeio transmontano 3/6</title>
		<link>http://blog.osmeusapontamentos.com/index.php/2004/10/14/notas-para-um-passeio-transmontano-36/</link>
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		<pubDate>Thu, 14 Oct 2004 09:30:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vitorsilva</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Miranda do Douro 1813 habitantes. Cidade do distrito de Bragança e da diocesa de Bragança e Miranda, sede de concelho e de comarca. Fica no cimo de uma encosta um tanto abrupta, a 687 m de altitude, na alcantilada margem do rio Douro, olhando para a vastidão planáltica da margem esquerda do rio que se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Miranda do Douro<br />
1813 habitantes. Cidade do distrito de Bragança e da diocesa de Bragança e Miranda, sede de concelho e de comarca.<br />
Fica no cimo de uma encosta um tanto abrupta, a 687 m de altitude, na alcantilada margem do rio Douro, olhando para a vastidão planáltica da margem esquerda do rio que se estende na direcção de Zamora e Salamanca.</p>
<p>A origem do povoado onde viria a edificar-se Miranda do Douro continua desconhecida, mas os poucos indícios arqueol?gicos até hoje encontrados parecem fazê-lo remontar a um castro da Idade do Bronze. Nos princípios do século VIII, os mouros escorra?aram os visigodos e ocuparam a povoação, dando-lhe o nome de Mir-Hândul. Mas tanto Leite de Vasconcelos como o Abade de Baçal defendem que Miranda deriva do verbo latino ?miror? (olhar de frente) geralmente associado a praças fronteiriças.<br />
Para tentar povoar o local, D. Afonso Henriques, que a herdou de seus pais, vendo nela um ponto estratégico para a resistência ao poderia leonês, transformou a povoação em &#8220;couto de homiziados&#8221;, dando-lhes carta de foro em 1136. Mas foi D. Dinis, em 1286, quem elevou Miranda à categoria de vila, concedendo-lhe foral e mandando construir o castelo e a cercadura das muralhas, que ainda persiste. Já no século XVI, D. Manuel I mandou renovar o castelo e construir a Casa da Alfândega que serviu de quartel à Guarda Fiscal até à extinção da corporação, já nos nossos dias.</p>
<p>O período ?ureo de Miranda do Douro começaria em 1545, quando o Papa Paulo III fundou a diocese de Miranda e, logo de seguida, o rei D. João III a elevou à categoria de cidade. Em pleno Renascimento, esta promoção haveria de constituir incentivo para o desenvolvimento económico e cultural. E também religioso: logo em 1552 se lança a primeira pedra para a obra da catedral cuja construção iria levar 50 anos -, assistindo-se à renovação do tecido urbano da cidade, uma boa parte do qual ainda hoje se pode apreciar, passados mais de quatrocentos anos.</p>
<p>Do castelo restam actualmente apenas as poucas ruínas que subsistiram à explosão dos paióis de pólvora em 1762, quando a cidade se encontrava cercada (admite-se que tenha havido traição), em redor da antiga praça de armas e da torre de menagem medievel, que, apesar de ter sido desmantelada, mostra ter sido uma fortaleza possante.<br />
Por bula de 27 de Setembro de 1780 a sua diocese ficou unida à de Bragança com o bispo a residir nesta cidade, mas mantendo a igreja matriz de Miranda a categoria de Sé, ficando a diocese a denominar-se &#8220;de Bragança e Miranda&#8221;.</p>
<p>A recente construção da sua grande barragem hidroeléctrica, que permitiu o acesso a Espanha, fez com que nela se desenvolvesse notavelmente o comércio.<br />
Aliás, na área do concelho encontram-se dois dos maiores empreendimentos hidroeléctricos portugueses ambos situados no troço do Douro internacional. A barragem de Miranda, construída junto a um brusco cotovelo do rio, dista apenas 1 km da Sé; iniciadas as obras em 1956, o primeiro grupo de geradores entrou em funcionamento no mês de Agosto de 1960; a barragem mede de coroamento 263 m, sendo de 80 m a sua altura acima das fundações; a potência total dos três geradores é de 174 MWh.</p>
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