O Dever da Verdade


“Isto não tem volta a dar” diz Medina Carreira na sua conversa com Ricardo Costa que foi publicado no livro Dever da Verdade… e se o dever da verdade é dizer-nos que isto não tem volta a dar então ou interpretamos esta afirmação de uma forma literal e estamos tramados, ou interpretamos como uma chamada de atenção muito forte de alguém que já chamou tantas vezes à atenção para alguns problemas do país que já só lhe resta desistir.

Mas acho que este livro é principalmente uma conclusão. Uma conclusão de todos os milhares de estudos, levantamentos e outras consultorias feitas sobre a nossa economia e a nossa sociedade.
E a conclusão é apresentada sem rodriguinhos ou quaisquer necessidades de ser politicamente correcto.

O livro passa por alguns temas da sociedade e economia portuguesa, nomeadamente a questão da educação e dos miticos 6% do pib que tanto ajudaram a ridicularizar o Guterres já que o nosso investimento na educação na verdade é dos mais elevados (a nivel relativo) da europa; e a questão dos funcionários públicos, onde gostei particularmente desta expressão: “Se me ‘parece’ exagerado o número de funcionários [públicos], é ‘seguro’ que custam aquilo que o País não pode pagar.” Contorna a questão de nunca haver número exactos de funcionários públicos e contextualiza-a no ponto mais importante que é quanto é que isso nos custa.

Para além disso alertou-me ainda para uma questão que ainda não tinha assimilado perfeitamente embora tivesse consciencia dela e que tem a ver com o direito à greve. Na verdade, diz, “A greve tende a converter-se um exclusivo do funcionário público.” já que é o único que pode “impunemente” fazê-la.

De qualquer forma, aquilo que mais apreciei foi o enquadramento que explica porque razão, com muita probabilidade, nunca iremos voltar aos gloriosos anos 70 / 80 do grande estado-social. E porque razão muitas reivindicações, formas de actuação e relacionamento entre os actores sociais têm que ser revistas.

“Nos sessenta anos já decorridos depois da Segunda Guerra, a Europa do Oeste conheceu dois períodos distintos: nos primeiros trinta houve prosperidade económica como nunca antes se conseguira, pleno emprego e elevadas taxas de natalidade.
O vigor da economia e do sindicalismo permitiram um ‘compromisso social’ com ganhos para todos. E foi assim, com um capitalismo dinâmico, que os partidos da esquerda democrática registaram os seus maiores êxitos durante e por causa dos ’30 gloriosos anos’.”
“Os europeus pensaram e pensam que todos os benefícios e privilégios era aquisições definitivas e incondicionadas. Não entenderam que houve alterações profundas no mundo, que impõem nos esforços, renúncias, reformas e sacrifícios.”

Quem pensava que tinhamos atingido um patamar ao nível do apoio social, relação empresas / estado desengane-se…


Nome: O Dever da Verdade
Autor: Ricardo Costa, Medina Carreira
Editora: Dom Quixote
ISBN: 978-972-20-3046-5

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notas leitura: O Dever da Verdade


pag.16
“Nos sessenta anos já decorridos depois da Segunda Guerra, a Europa do Oeste conheceu dois períodos distintos: nos primeiros trinta houve prosperidade económica como nunca antes se conseguira, pleno emprego e elevadas taxas de natalidade.
O vigor da economia e do sindiclismo permitiram um ‘compromisso social’ con ganhos para todos. E foi assim, com um capitalismo dinâmico, que os partidos da esquerda democrática registaram os seus maiores êxitos durante e por causa dos ’30 gloriosos anos’.
Este temp de ‘ouro’ durou até aos meados dos anos 70. A partir daí a economia decaiu, o desemprego cresceu e a natalidade baixou.
De fechadas, as economias tornaram-se abertas, até atingirem uma vocação ‘global’. De eficazes e intervencionistas, os Estados nacionais passaram a ‘obesos’ e ‘indolentes’. Antes esperançosas, as sociedades ficaram intranquilas.
Pode-se dizer que uma Europa ‘acabou’ em redor de 1975 e outra ‘evoluiu’ desde então.
‘Desindustrializou-se’ e ‘terciarizou-se’: o peso dos operários fabris caiu e cresceu sempre o dos empregados nos serviços.
O produto per capita na UE/15 aumentou anualmente 4,8% entre 1945 e 1975; 2,3% entre 1975 e 2000; 1,6% entre 2000 e 2005.”

pag.41
“A população ‘asilada’ no Estado e que vive à custa dos impostos ultrapassa já os 5 milhões, integrando políticos, funcionários, pensionistas, subsidiados e familiares, que correspondem a mais de 50% dos residentes e a 60% do eleitoriado”

pag.54
“O seu [da Europa] êxito económico e social, posterior à Segunda Guerra, não encontra um precedente histórico conhecido.
Mas as bases em que ele assentou mudaram radicalmente: o grande crescimento da produtividade e da economia, o pleno emprego, o equilíbrio demográfico, a hegemonia da actividade industrial, o eficaz intervencionismo do Estado através das políticas monetária e cambial, alfandegária e orçamental, o controlo do investimento estrangeiro, acabaram.
Tudo isto se perdeu e ainda mais as amplas zonas do mundo que lhe forneciam matérias-primas baratas e lhe compravam uma boa parte das produções industriais.
Nenhum desses factores de prosperidade e de influência política sobrevive hoje. Pelo contrário, temos um produtividade que cresce muito pouco e economias com modestos comportamentos, desempregro elevado, envelhecimento demográfico, supremacia dos serviços sobre a indústria, dependência externa dos fornecedores de matérias-primas, esvaziamento completo od poderes de intervenção e de controlo público.
Os europeus pensaram e pensam que todos os benefícios e privilégios era aquisições definitivas e incondicionadas. Não entenderam que houve alterações profundas no mundo, que impõem nos esforços, renúncias, reformas e sacrifícios.
A expansão sem limites era uma fantasia.
E os dirigentes políticos não o querem explicar porque lhes convém alimentar a esperança de que é sempre possível prometer mais e melhor.
Dizem que isso é ‘política’.
Eu digo que é engano e que trará maus resultados.”

pag.58
sobre a educação:
“Por isso, o que resulta na Finlândia, fracassará hoje em Portugal.
As estatísticas da OCDE mostram que, na população dos 25 aos 64 anos e sem mais que o primeiro ciclo do secundário, a Finlândia registava em 2002 25%, a Irlanda 39% e Portugal 80%. Estamos pior que a Turquia e só melhor que o México: Portugal é um dos três países com os mais baixos níveis de instrução entre todos os trinta da OCDE.”

pag.69
“Nos últimos dez anos, digamos, a mediocridade e a abertura económica fizeram da greve contra as empresas privadas uma arma muito arriscada. Por isso, praticamente abandonada pelos sindicatos, porque a falência ou a ‘deslocalização’ se tornaram prováveis.
A acção sindical resguardou-se e, quase em silênco, abandonou as greves contra o patronato privado.
Nestas novas e implacáveis circunstâncias, o sindicalismo escolheu um alvo novo, insusceptível de falência ou de ‘deslocalização’: o Estado e as empresas que ele tutela e subsidia.
A mobilização contra o ‘patronato explorador’ desapareceu.
Não surpreende assim que, com o ‘Sistema Retributivo’ e nestas circunstâncias, nos últimos vinte e cinco anos tenha ocorrido um ‘aumento’ insustentável da comparticipação do pessoal público na já pequena riqueza criada (no PIB português): 10% em 1980; 10% em 1985; 11,7% em 1990; 13,6% em 1995; e 15% em 2000.
Se uma parte deste aumento dos custos ficou a dever-se ao alargamento dos quadros, outra corresponde ao acréscimo real dos salários.
Para não se confrontar com as reivindicações dos funcionários públicos, o poder político preferiu sacrificar os contribuintes, pagadores silenciosos dos acréscimos de benefícios por ele concedidos ao pessoal público: os ‘ganhos’ deste pessoal são perdas dos contribuintes, que os suportam imperativamente através do agravamento dos impostos.
Mais salários públicos já não são, em geral, fruto de mais riqueza nacional criada, antes de mais sacrifícios dos contribuintes: aqueles números são disso uma prova inequívoca.
Pelo contrário, uma vantagem salarial, no sector privado, se não puder repercutir-se no mercado ou ser acomodada pela empresa, acabará por conduzir rapidamente à falência ou à ‘deslocalização’.
‘Juridicamente’, todos os trabalhadores, públicos ou provados, podem fazer greve. ‘De facto’, os empregrados privados, neste novo contexto, já não podem. A greve tende a converter-se um exclusivo do funcionário público.”

pag.72
“Precisamos de muitos e médios investimentos, que produzam para exportação, que sejam rapidamente reprodutivos e que empreguem o máximo possível de mão-de-obra.
Não o são manifestamente, nem a Ota, nem o TGV.
Se o Governo porfiar nestes empreendimentos, cometerá um erro histórico.
Estas duas obras constituirão, financeiramente, uma pesada ‘hipoteca’ nacional.
Já não nos bastam as SCUT, os dez estádios e outras aventuras semelhantes, decididas quase sempre pelos mesmo ou aparentados.”

pag.82
“Se me ‘parece’ exagerado o número de funcionários [públicos], é ‘seguro’ que custam aquilo que o País não pode pagar.
Este é um problema na vida portuguesa actual, porque determina uma carga muito pesada nos impostos.
Aliviar financeiramente o Estado é, por isso, uma tarefa inadiável.”
pag.86
Com apreciável distância, Portugal é o país da UE/15 em que o peso dos salários [da função pública] nos impostos cobrados é mais elevado: quase 60% destes, com o Reino Unido na posição mais distantes, a rondar os 23% [e o segundo mais gastados, a França, com menos 12% que Portugal]”

pag.98
sobre os valores das pensões:
“O Estado social foi ‘capturado’ e é ‘explorado’ pelas gerações mais velhas e que ainda decidem, indiferentes às novas circunstâncias e ao futuro.”

“Portugal e outros países da UE enfrentam ‘agora’ dificuldades em consequência da desfavorável conjugação de uma ‘economia’ medíocre com o ‘envelhecimento’ demográfico, com a maior ‘maturidade’ dos sistemas de protecção social e com alguns excessos políticos praticados.”

pag.102
“O Estado não pode ‘recusar’ [o tratamento às pessoas mais idosas], é um facto. Mas a ‘economia’ é cega e surda e pode ‘limitar’, em condições imprevisiveis.
Enquanto se pensa que a grande causa dos nossos embaraços não é, basicamente, uma economia estagnada, antes o resultado do ‘neoliberlismo cavernícola’, da acção perversa de forças de ‘direita’, do ‘reaccionarismo’ tradicional, da ‘insensibilidade social’, do FMI e do Banco Social, esquece-se o que interessa e é essencial, isto é, a mudança radical das circunstâncias: a abundância dos bens e dos serviços do ‘modelo social’ que se contruiu resultou, fundamentalmente, da enorme prosperidade económica passada e sem precedentes, do equilíbrio demográfico, da relevância económica e política da Europa no mundo, de uma protecção social pouco madura e da eficácia dos mecanismos que sustentaram os Estados intervencionistas.”

pag.104
“Não há Constituição, retórica, ‘optimismo’ ou boa vontade que substitua o ‘dinheiro’ com que se paga aos médicos e aos enfermeiros, aos laboratórios e às farmácias, aos bombeiros e ao INEM…
E, como em qualquer família ‘honrada’, esse ‘dinheiro’ não poderá vir sempre de empréstimos, isto é, dos défices públicos.
Para um Estado ‘honrado’ e a prazo, é este o alcance mais relevante do PEC: travar a facilidade do endividamento.”

pag.126
“R.C. – Uma das suas frases mais fortes diz mais ou menos isto: ‘Como o Estado é fraco e a sociedade civil não é qualificada, isto não tem volta a dar.’ Isto não é uma declaração de capitulação?
M.C. – Nestes tempos de grandes mudanças na sociedade, no Estado e na economia, é fundamental um entendimento sobre o que podemos e o que queremos fazer.
No que respeita ao Estado, deve ter-se bem presente que está completamente ‘desfigurado’, quando o comparamos com o dos anos 60 e 70, para não recuar mais.
A integração na UE, a adopção do euro, a liberalização mundial do comércio, a restante globalização e a transferência interna de poderes para as regiões, as autarquias e a transferência interna de poderes para as regiões, as autarquias e as entidade reguladoras, tornam-o uma pálida sombra do que foi noutros tempos.
Não emite moeda, não determina juros, não fixa câmbios, não levanta barreiras alfandegárias, não controla a circulação de capital e, espartilhado orçamentalmente, não tem sequer capacidade para promover políticas anticíclicas.
O Estado da Zona Euro, desequilibrado e em crise financeira aguda, não dispõe de instrumentos para influenciar directamente a economia, o investimento e o emprego.
De tudo isto e de como evoluir o nosso tempo, decorre a supremacia do ‘económico’ sobre o ‘político’.
O Estado é ‘fraco’ e quase se limita a cobrar impostos para pagar salários, pensões e subsídios.
É o ‘Estado-tesoureiro’ ao serviço do ‘Estado-asilo’, à custa dos contribuintes que trabalham e pagam os impostos sobre o consumo. Não é já o ‘Estado-intervencionista’.
Ainda não foi compreendida e assumida por inteiro a realidade deste Estado reduzido do inicio do século XXI, com natureza, funções e competências muito diversas das do Estado dos meados do século XX.
A nossa sociedade civil, por seu lado, é historicamente débil e tem elites que vivem ‘encostadas’ nos favores e nos dinheiros do Estado: é, por isso e ainda, muito menos realizadora quando enfraquecee a direcção pública e minguam os ‘cabedais’ desse mesmo Estado.
Como creio que irá tardar a mundaça destas circunstâncias – a ‘debilidade da política’ e a ‘pobreza da Nação’ – os responsáveis públicos devem fazer, tão bem quanto seja possível, tudo e só o que o Estado deve e pode fazer.
A sociedade civil beneficiará e poderá cumprir melhor se o Estado fizer bem o que só ele pode.
Tratando-se aqui e sobretudo da política, direi que é exigível ao Estado:
- educar e formar, com muito rigor e qualidade, de modo a tornar mais instruídos e preparados os seus cidadãos;
- a regular com celeridade as relações sociais conflituantes, através de uma justiça ao serviço da tranquilidade, da equidade e do desenvolvimento;
- a perseguir e a punir os que se sirvam do exercício das funções para proveito próprio e ilícito, desequilibrando a posse da riqueza e a saúde das relações económicas;
- garantir a tranquilidade pública, a vida e o património dos residentes;
- recolher os impostos em volume compatível com o investimento produtivo, pagos a taxas médias que cresçam com a dimensão das posses.
E assim por diante.
Isto é: o Estado, fraco e pobre, terá de empenhar-se a fundo em tudo o que só ele pode, deve e sabe fazer.
Se isto for conseguido, mas só se o for, poderá esperar-se da sociedade civil tudo o o que só ela pode, deve e sabe fazer.


Nome: O Dever da Verdade
Autor: Ricardo Costa, Medina Carreira
Editora: Dom Quixote
ISBN: 978-972-20-3046-5

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notas leitura: Confidencial: a Década de Sampaio em Belém

nullSobre o jornalismo actual
pag.32 “A grande vantagem dos fazedores de opinião do nosso quotidiano, e a grande perversidade da crítica que produzem, é que não respondem perante ninguém. Nesse sentido, a crítica é pérfida porque não sofre de qualquer accountability.”
pag.88 “Foram mais as vezes em que a comunicação social preferiu destacar a capacidade de mobilização das candidaturas do que a qualidade das propostas ou de qualquer outro aspecto político relevante”, sobre a postura dos jornalistas na campanhã de Sampaio
pag.141 – ilustrando o caracter por vezes especulativo dos jornalistas “No dia seguinte, alguns jornais aplaudiam o nvo estilo, “estudado ao milimetro e encenado sob a batuta dos maestros do marketing politico”
pag.324 “O tempo de hoje mede-se pelos casos do quotidiano. O fascinio pelas notícias que geram emoção, intriga, desespero são aquelas que merecem a escolha dos editores. A polémica passou a ser critério de noticiabilidade. Muitas vezes, nem são questões essenciais, mas isso há muito deixou de ser o critério relevante.”
pag.327 “Sem jornalistas, a democracia tornava-se vulnerável. Mas se é verdade que a opinião pública depende de um imprensa credível e independente, a prática dos jornalistas pressupõe rigor e isenção. Atributos a que um número crescente destes tem negligenciado. A ‘cacha’ transformou-se num valor-absoluto e no objectivo primeiro do seu trabalho, ignorando mesmo a confirmação da notícia. Consequência, na maior parte das vezes, de uma dinâmica laboral mais preocupada com a lógica de negócio do que com a qualidade do jornalismo praticado.”
pag.343 “A par do que se escreve ou do que se diz, ganhou-se a ideia de que os jornalistas só desempenham bem a sua tarefa se forem agressivos na maneira como questionam os seus interlocutores, como os tratam, como os criticam. Associam a agressividade ao bom desempenho.”

Sobre o entendimento da sua função
pag.353 “Fomos, durante uma década, fontes de muitos jornalistas que nos procuravam para obter informações ou contraditar dados que tinham obtido por outra via. Gerou-se, com muitos deles, uma relação de confiança que nos levava a tomar iniciativa, contactando-os para informá-los de determinados factos que para eles poderiam ter interesse e que nós queriamos ver publicados. Assumimos um papel activo, assumindo-nos como emissores de informação e não como aparelho propagandistico. ”
“É evidente que éramos parte interessada e que isso nos levava a dar uma determinada perspectiva às notícias que divulgávamos ou ao contraditório que fazíamos de algumas situações, valorizando a agenda e destacando o que , do nosso ponto de vista, se apresentava como mais relevante. Mais do que meros dispensadores de informação, também ajudávamos a criar notícias.”
“Um Chefe de Estado também é um criador de circunstâncias. Faz parte da lógica política assumir determinadas causas e dar determinados sinais. A assessoria de imprensa serve exactamente para amplificar e valorizar o conteúdo das mesmas.”

Sobre as fontes
- episódios que correm mal (pag46)
- episódios que correm bem pag308 – respostas preparadas

Sobre a decisão de empossar santana
pag.169 “Foram dias pensador para serem vividos como foram. Só faltou mesmo um PSD menos apático que tivesse resistido a uma transição monárquica dentro do partido”
pag.175 “Infelizmente o PSD não abriu brechas, aclamando mesmo aquela solução, num Conselho Nacional, com uma votação que superou os 90%”
pag.177 “Aquelas audiências mais não foram do que uma tentativa de ganhar tempo, de avaliar até que ponto havia margem para seguir outro rumo, para ver se surgia contestação no interior do PSD à solução proposta e se essa mesma contestação era suficiente para gerar solução diversa.”
pag.236 “Foi a primeira vez – e última – que estive com D. Duarte nesses dez anos, mas nunca mais me esqueci daquela noite. Confesso que a sua figura me causou uma fraca impressão que ainda hoje me acompanha.”

Sobre alguns personagens da política portuguesa
pag. 37 “O problema em Marcelo é precisamente esse: nunca sabemos qual é o lado da fronteira em que se encontra. Para ele, a linha que separa os factos da pura insinuação é demasiado ténue. Quando o ouvimos, é inevitável perguntar ‘Quem pretende atingir?’, ou ‘Quais as verdadeiras intenções que orientam o comentário?´’ De Marcelo nenhuma crítica deve ser assumida por justa, nem nenhum elogio deve ser aceite sem desconfiança”
pag. 160 “Paulo Portas sempre foi eficiente nas palavras e cuidadoso com a aparência. Gosta da imagem que transmite, às vezes um pouco artificial e exagerada. Talvez um pouco narcisista, mas eficaz. Para ele a política também se constrói nas poses ensaiadas e na oportunidade das frases.
pag. 173 sobre um episódio com Mota Amaral e sobre outros personagens políticos. “À minha irritação inicial – que ainda durou um bom par de horas – seguiu-se um realista ‘nada a fazer’ e uma memória bem-humorada de cargas de ombro e alguns empurões que presenciei nas visitas pelo estrangeiro mas, principalmente, no país. Tudo para ficar atrás do Presidente no momento das fotos ou das entrevistas das televisões.”
pag.181 sobre uma reunião com o almirante fuzeta da ponte. “Num dos encontros a que foi chamado ao Palácio, Sampaio colocou-lhe duas ou três questões. Nada de especial, apenas alguns esclarecimentos que o Presidente pretendia obter sobre matéria militar e cuja discussão se fazia por aqueles dias. As respostas saíram imprecisas, inseguras, enfim, demasiado titubeantes para quem chefiava o edificio militar.”

Confidencial: a Década de Sampaio em Belém
João Gabriel
Editor: Prime Books
Número de páginas: 391
ISBN: 989-8028-40-2

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Confidencial – A década de Sampaio em Belém

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Confidencial – A década de Sampaio em Belém de João Gabriel foi o livro que me acompanhou na minha semana de férias em Setembro. Nos tempos que correm, só mesmo em tempo de férias é que conseguiria ler um livro de quase 400 páginas numa semana.
Este não é o livro das memórias de Jorge Sampaio, nem pretende ser, mas, e tendo como pano de fundo as suas duas presidências, dá-nos uma visão de quem conviveu com ele nesses 10 anos.

Para quem só conhece da política aquilo que aparece nos media, a leitura deste livro permite satisfazer um pouco aquela curiosidade quase voyeristica sobre como funciona a ligação instituições, jornalistas, público.
Este é aliás um dos pontos que acho mais interessantes, em que João Gabriel assume sem grandes assombros

“Fomos, durante uma década, fontes de muitos jornalistas que nos procuravam para obter informações ou contraditar dados que tinham obtido por outra via” (pag.353).”

E provavelmente a questão nem passa por assumir ou deixar de assumir, tendo em conta a conotação desta palavra que leva um pouco para a ideia de que havia qualquer coisa escondido e que passou para o domínio público.

A forma como ele define sua função libertou-me a mim da minha ingenuidade no que diz respeito a estas relações, e inclusive proporcinou-me um enquadramento mental aceitavel para encarar estas relações. Diz ele

“Um Chefe de Estado também é um criador de circunstâncias. Faz parte da lógica política assumir determinadas causas e dar determinados sinais. A assessoria de imprensa serve exactamente para amplificar e valorizar o conteúdo das mesmas.” (pag.353)

Claro que esta forma de relacionamento (entre instituições-jornalistas) cheia de inuendos, regras não escritas e favores mais ou menos bem intencionados são potenciadoras de confusões e/ou conflitos. Como os ultrapassar não é objecto deste livro.

Ao mesmo tempo que declara a sua postura perante a sua profissão/tarefa (assessoria), não perde a oportunidade para emitir a sua opinião sobre o que é o jornalismo hoje e o que o desgosta nele.

“Mas se é verdade que a opinião pública depende de um imprensa credível e independente, a prática dos jornalistas pressupõe rigor e isenção. Atributos a que um número crescente destes tem negligenciado” (pag.327)

E deixa também algumas frases sobre alguns políticos portugueses

“”À minha irritação inicial – que ainda durou um bom par de horas – seguiu-se um realista ‘nada a fazer’” (pag.173)

A sua relação com Timor fica justamente vincada no número de páginas que lhe dedica, relatando não só o que vivenciou durante os dois mandatos mas também experiências anteriores como as visitas à indonésia ou a entrevista ao então prisioneiro Xanana Gusmão. É um relato emotivo que faz sentido num assunto que tanta comoção gerou em Portugal e que se hoje está resolvido (a independência foi conseguida embora falte ainda estabilidade ao país) deve-o muito à coragem dos próprios timorenses.
Como seria de esperar, a crise política de 2004 com o pré e pós governo de Santana Lopes é também um ponto alto do livro, com o relato, mais detalhado nas histórias à volta da saída de Barroso do que às causas da saída de Santana

De qualquer forma, ao longo do livro, João Gabriel vai deixando notas sobre Jorge Sampaio, pessoa que, como Pacheco Pereira diz no prefácio “não tinha muitas razões para ter a carreira politica que teve, o sucesso politico que teve, porque ele é mais uma anomalida do que a regra nas carreiras do nosso sistema político”, e essa anomalia está expressa em algun apontamentos sobre coisas que Sampaio disse (o facto de gostar de touradas de morte, e de não ter problemas em assumi-lo pag.49), posturas que teve (como a razão que deu quando lhe perguntaram porque tinha dito que tinha votado em Otelo: “Porque era verdade” pag.63), ou por acções que praticou (a história com a mandatária da Figueira da Foz é surpreendente (pag.111). Essas são as marcas que Sampaio imprimiu aos seus mandatos e que provavelmente explicam porque razão já o temos ouvido outra vez agora que voltou à sociedade civil em vez de desaparecer no exílio (forçado) das pessoas que já exerceram o maior cargo político português.

Confidencial: a Década de Sampaio em Belém
João Gabriel
Editor: Prime Books
Número de páginas: 391
ISBN: 989-8028-40-2

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Preto e Branco

Existe alguma coisa que seja preto ou branco, verdadeiro ou falso, bom ou mau?
Como podemos avaliar se o percurso de uma pessoa é globalmente positivo ou negativo?
Existe algum tipo de acções que uma pessoa possa cometer a partir de qual independentemente de tudo o que fez anteriormente a sua avaliação é cilindrada por estas ultimas acções?
É justo fazer este tipo de avaliações?
Todas estas dúvidas a propósito de dois livros sobre a mesma pessoa, António de Oliveira Salazar: O Outro Retrato de Jaime Nogueira Pinto e Salazar: Agora, na hora da sua morte de João Paulo Cotrim e Miguel Rocha.
Enquanto que no primeiro se valorizam essencialmente os primeiros anos da mais longa ditadura da história de Portugal enquadrando o “aparecimento” de Salazar na sequência das guerras fraticidas da primeira República, no segundo temos o reverso da medalha, a opressão e autoritarismo, o cinzentismo de todo o país.
Vale a pena conhecer sempre os dois lados, a verdade é que nada é preto ou branco, verdadeiro ou falso, bom ou mau.
Ah e também dizem que a história é escrita pelos vencedores…

António de Oliveira Salazar: O Outro Retrato
Jaime Nogueira Pinto
A Esfera dos Livros
Nº págs.: 248
ISBN: 978-989-626-072-9

Salazar: Agora, na hora da sua morte
João Paulo Cotrim, Miguel Rocha
Parceria A. M. Pereira
Nº págs.: 248
ISBN: 972-8645-36-8

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Comércio Injusto


Século XXI, tecnologia, comunicação instântanea, toda a informação que nós precisamos na ponta do nossos dedos. Mas nem só de informação vive o homem… basta relembrarmos a hierarquia das necessidades de Abraham Maslow para perceber aliás que muitas das nossas preocupações actuais (tenho dinheiro para o carro e a casa, será que consigo sacar aquela série da internet, …) só são possiveis porque necessidades básicas (alimentação, higiene, etc.) são, felizmente, dadas como adquiridas.
Mas na época da Long Tail, do Mundo Plano, o que parece que está a começar a fazer a diferença são as matérias primas base, sejam produtos industriais (petróleo, aço, papel, …), sejam produtos de consumo básico (arroz, trigo, café, …)
Faz sentido trazer à colação as referências de Lester Brown numa conferência do PopTech, e a propósito do seu livro Plan B 2.0, que a China já está a consumir 2x mais trigo e 3x mais Aço que os EUA ou que se a China consumisse proporcioalmente o mesmo papel que os EUA então necessitaria 2x mais papel do que aquele que é actualmente produzido.
E é destas matérias-primas básicas que trata o livro “Comércio Injusto – O Romance Negro das Matérias-Primas” de Jean-Pierre Boris.
Numa visão que não sofre da tradicional necessidade de ser politicamente correcto em relação ao terceiro-mundo (e áfrica em particular) devido ao nosso (francês e português principalmente) passado colonialista, JP Boris relata a evolução dos mercados do cacau, café, algodão, arroz e pimenta sobretudo nos últimos 30/40 anos.
Embora cada um destes mercados tenha as suas ideossincrasias, notamos no entanto um padrão, a passagem de mercados regulados pelo estado, normalmente com elevados graus de corrupção que garantia alguma segurança aos pequenos produtos já que garantia a compra da sua produção, para mercados auto(?) regulados pelas grandes multinacionais que, beneficiam ainda de maiores produções de paises que anteriormente não tinham expressão (ex brasil no algodão, vietname no arroz) e que en pasant, ou como danos colaterais, conseguem a proeza de fazer baixar os preços unitários para valores que, em antigos grandes produtores, ficam abaixo dos seus custos de produção.
Como é que se resolve isso? Não é este o livro para termos essa resposta. Este é um livro de introdução ao problema, contextualização, chamar os bois pelos nomes, falar da corrupção, da pressão dos organismos dominadores como o FMI ou Banco Mundial, da maior diversidade de players (o mundo deixou de ser só eua, europa e japão, agora temos o BRIC brasil, russia, india e china, quem sabe para quando o resto da américa latina e áfrica), das mega-multinacionais, dos mercados de futuros (que transaccionam contratos em quantidades várias vezes superiores à produção real) e, no final, lança mais alguma areia sobre a nossa ideia formada sobre cadeias de comércio justo.

Comércio Injusto
Jean-Pierre Boris
Edições ASA
Colecção: Questões de fundo
Nº págs.: 201
ISBN: 978-972-41-4994-3

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Livros Wishlist

update 2007-10-15

  • Sergio Aragonés’ Groo: 25th Anniversary Special
  • Jason – You Can’t Get There From Here
  • Jason – I Killed Adolf Hitler

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Vertigem Americana – Bernard-Henri Lévy

Vertigem Americana de Bernard-Henri Lévy parte da ideia de reconstituição da viagem de Tocqueville no século XIX que deu origem ao seu clássico “Da democracia na América” , mas não é importante tê-la presente para encontrar pontos de interesse neste livro.
É um livro sobre a América, melhor sobre os Estados Unidos da América

“a primeira coisa a não esquecer é que a própria identidade do país, o seu alicerce, o seu nome, mais exactamente a sua maneira de não ter nome próprio e ter adoptado um nome que, à partida, não quer dizer nada (Américo Vespucci, o nome de um navegador florentino imortalizado como cartógrafo!) (…) (imagine-se os franceses ou os alemães autobaptizarem-se de “europeus” com a mesma desenvoltura que os colonos da Nova Inglaterra “americanos” ” (pag.297)

Não é sobre a América homgeneizada que conhecemos dos filmes de hollywood, do rock de nova iorque, da disneyworld da florida ou do mcdonalds do fundo da nossa rua.
Fala nos da América que desconhecemos, dá pistas para tentar perceber as idiossincrasias americanas, o que não é o mesmo que dizer que assim as consigamos aceitar ou até perceber

[sobre um soldade em guantanamo] “… um outro sargento, que não se incomoda de confessar que, por vezes, vê-se obrigado a dar uma tareia num detido que lhe cospe em cima ou que emporcalha a sua parede de excrementos, mas exclamando que, em contrapartida, há procedimentos que impedem que manipulem o Livro [o Corão] sem o envolver num pano especialmente previsto para o efeito” (pag.278)

E mostra-me a mim, que não conheço os eua:
- a realidade da liberdade condicional (inexistente) do estado da luisiana “Como se vive numa prisão quando se sabe que, independentemente do que se faça, nunca se sairá de lá senão morto” (pag.189)
- a cidade quase 100% árabe de dearborne, michigan
- a cidade quase 100% idosa de suncity, arizona, “… cuja primeira regra de gestão é só aceitar os casais que provem que têm um capital suficiente para poderem viver até aos cem anos – oficialmente, o objectivo do jogo! – sem risco de cessação de pagamento …” (pag 163)
- desmitifica um pouco a questão dos apoios sociais (não atribuidos pela organização una e abstracta chamada estado social que conhecemos mas pelas organizações profissionais, seguradoras, estados federais e governo do país, “A principal fonte de complexidade, logo, de mal-entendido, a razão profunda e quase filosófica, de uma tal variedade de situações e, para nós Europeus, de uma tal ilegibilidade, tem a ver com a desconfiança que inspira, nos Estados Unidos, a ideia de um Estado que centraliza nas suas mãos todos os instrumentos de redistribuição – tem a ver com esse “individualismo” metódico que Tocqueville mostrou, definitivamente, que entende deixar a cada um, ou às associações escolhidas por cada um, a responsabilidade dos destinos individuais.” (pág.153)
- ridiculariza a museologia geral onde tudo é passivel de ser venerado, olhado com reverência e invocado como misticismo num extremo que leva à criação da museologia futuróloga (pag.66)
- e diz sobre o criacionismo “Admirável esta elevação ao nível de “ciência” do que é precisamente o rosto da superstição e da impostura.” (pág.149)

É ainda o livro de viagens, chicago (pág.60), seattle (pág.103), a chegada à (anti-)cidade de l.a. (pág.119), as cidades fantasmas (pág.157), nova orleães antes (pág.187) e depois de katrina (pág.357) e um retrato da sociologia do país, os mexicanos, indios, judeus, arabes, negros, pobres, cubanos, gays, gordos, politicos … quem são afinal os verdadeiros americanos neste país de emigração

“entre todos estes povos dissemelhantes e que não estão, de facto, dispostos a renunciar a essa dissemelhança, observa-se o mesmo paradoxo de um desejo de americanidade, ou mesmo, como diria Richard Rorty, de um desejo de “fazer alguma coisa” da sua americanidade e do seu país que, longe de lhes parecer incompatível com o exercício da sua “opção étnica”, parece decuplado pelo sentimento de lhe trazer, ao fazê-lo, um património e características que, no fim dos fins, operam a sua grande glória” (pág.299)

Finalmente e talvez a maior surpresa, fala do idealismo que subiu ao poder e governa o país que nos habituamos a ver como mais imoral e pragmático.

[sobre uma convenção repúblicana de nova iorque] “… a única coisa que não podemos, sem má-fé, apoiar é que entre o discurso desta gente e o dos delegados que em Boston, ovacionam Michael Moore ou o senador Ted Kennedy, não haja diferença de conteúdo e de ideologia” (pág.101)

e levanta questões sobre como essa ideologia é aplicada

“Como se pode, como eu, ter passado a vida a deplorar a inacção dos países ricos, a sua pusilanimidade, o seu muniquismo recorrente face a adversários obstinados até à perdição e dispostos a tudo para ter os meios para o conseguir – e como se pode não sentir regozijo quando aparece, finalmente, na maior e mais poderosa democracia do mundo, uma geração de intelectuais que, ao pensar a mesma coisa que eu, se aproxima das alavancas do poder e agem, concretamente …” (pág.236)“Quando se defende uma política por extremo, será necessário defendê-la por todos os extremos? Será preciso, porque estamos de acordo sobre o Iraque, ser forçado a estar de acordo sobre a pena de morte, o criacionismo e, aqui, sobre a ordem moral e as suas práticas pestilentes? Deverei eu, quando janto com alguém, encomendar o menu completo?”

Edição Portuguesa Asa Editores

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notas leitura: The Mythical Man-Month 1

capitulo 1 – The Tar Pit
pag. 9
“The obsolescence of an implementation must be measured agaisnt other existing implementations, not against unrealized concepts. The challenge and the mission are to find real solutions to real problems on actual schedules with available resources.”

capitulo 2 – The Mythical Man Month
pag. 15
“The programmer builds from pure thought-stuff: concepts and very flexible representation thereof. Because the medium is tractable, we expect few difficulties in implementation; hence our pervasive optimism. Because our ideas are faulty, we have bugs; hence our optimism is unjustified.”
pag. 16
“Men and month are interchangeable commodities only when a task can be partitioned among many workers with no communication among them.”
pag. 21
“Observe that for the programmer, as for the chef, the urgency of the patron may govern the schedule completion of the task, but it cannot govern the actual completion.”
pag. 21
“It is very difficult to make a vigorous, plausible, and jobrisking defense of an estimate that is derived by no quantitative method, supported by little data, and certified chiefly by the hunches of the manager.”
pag. 25
“The number of months of a project depends upon its sequential constraints. The maximum number of men depends upon the number of independent subtasks. From these two quantities one can derive schedules using fewer men and more months. (The only risk is product obsolescence.) One cannot, however, get workable schedules using more men an fewer months. More software products have gone awry for lack of calendar time than for all other causes combined.”

capitulo 3 – The Surgical Team
pag. 30
“… if a 200-man project has 25 managers who are the most competent and experienced programmers, fire the 175 troops and put the managers back to programming. (…) the problem with the small, sharp team concept [is] it is too slow for really big systems.”
pag. 33
“absolutely vital to [Harlan] Mills’s concept is the transformation of programming from ‘private art to public practice’ by making all the computer runs visible to all team members and identifying all programs and data as team property, not private property.”
pag. 35
“Notice in particular the differences between a team of two programmers conventionaly organized and the surgeon-copilot team. First, in the conventional team the partners divide the work, and each is responsible for design and implementation of part of the work. In the surgical team, the surgeon and copilot are each cognizant of all the design and all of the code.”

capitulo 4 – Aristocracy, Democracy, and System Design
pag. 42
“Even though they have not taken centuries to build, most programming systems reflect conceptual disunity far worse than that of cathedrals. Usually this arises not from a serial succession of master designers, but from the separation of design into many tasks done by many men.”
pag. 45
“By the architecture ofa system, I mean the complete and detailed specification of the user interface. For a computer this is the programming manual. For a compiler it is the language manual. For a control program it is the manuals for the language os languages used to invoke its functions. For the entire system it is the union of the manuals a user must consult to do his entire job.”
pag. 46
“Good features and ideas that do not integrate with a system’s basic concepts are best left out.”

capitulo 4 – the second-system effect
pag. 56
“The second-system effect has another manifestation somewhat different from pure functional embellishment. That is a tendendy to refine techniques whose very existence has been made obsolete by changes in basic system assumptions.”


Nome: The Mythical Man-Month: Essays on Software Engineering, Anniversary Edition (2nd Edition)
Autor: Frederick P. Brooks
Editora: Addison-Wesley Professional; 2 edition (August 12, 1995)
ISBN-13: 978-0201835953

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notas leitura: Emotional Design 5

capitulo 4 – Fun and Games
pag. 101
“why must information be presented in a dull, dreary fashin, such as in a tble of numbers? Most of the time we don’t need actual numbers, just some indication of wether the trend is up or down, fast or slow, or some rough estimate of the value. so why not display the information in a colorful manner, continually available in the periphery of attention, but in a way that delights rather than distracts”
pag. 112
“Khaslavsky and Shedroff suggest that the tree basic steps are enticement, relationship, and fulfillment: make an emotional promise, continually fulfill the promise, and end the experience in a memorable way.”
pag. 116
“Music impacts all three levels of processing. The initial pleasure of the rhythm, tunes and sounds is visceral, the enjoyment of playing and mastering the parts behavioral, and the pleasure of analyzing the intertwined, repeated, inverted, transformed melodic lines reflective.”
pag. 125
“To be fully engrossed within a movie is to feel the world fade away, time seem to stop, and the body enter the transformed state that the social scientist Mihaly Csikszentmihalyi has labeled “flow”. Csikszentmihalyi’, flow state is a special, detached state of consciousness, in which you are aware only of the moment, of the activity and of the sheer enjoyment.”

capitulo 5 – People, Places and Things
pag. 136
“B. J. Fogg shows how people think of “computers as social actors”, in his chapter of that title in his Persuasive Technology. Fogg proposes five primary social cues that people use to infer sociability with the person, or device, with whom, or which, they are interacting:
- Physical: faces, eyes, body, movement
- Psychological: preferences, humor, personality, feelings, empathy, “I’m sorry”
- Language: interactive language use, spoken language, language recognition
- Social Dynamics: turn taking, cooperation, praise for good work, answering questions, reciprocity
- Social Roles: doctor, teammate, opponent, teacher, pet, guide
(…) with computers, we often fall for the social dynamics (or, as is more often the case, the inept social dynamics). Basically, if something interacts with us, we interpret that interaction; the more responsive to it is to us through its body actions, its language, its taking of turns, and its general responsiveness, the more we treat it like a social actor. This list applies to everything, human or animal, animate or in-animate.”
pag. 149
“But, on the whole, the point of frequent messages is not information sharing; it is emotional connecting. (…) People need to communicate continually, for comfort, for reassurance.”
pag. 150
“But the real problems of modern communication come from the limitations of human attention. The limits on conscious attention are severe. When you are on a telephone call, you are doing a very special sort of activity, for you are part of two different spaces, one where you are located physically, the other a mental space, the private location within your mind where you interact with the person on the other end of the conversation. This mental partitioning of space is a very special facility and it makes the telephone conversation, unlike other joint activities, demand a special kind of mental concentration. The result is that you are partially away from the real, physical space, even as you inhabit it. This division into multiple spaces has important consequences for the human ability to function.”
pag. 156
“… we can and do take part in multiple instant- and text-messaging conversations “simultaneously”, but the quote marks around “simultaneously” reflect that we don’t really do the operations at the same instant, but rather interweave the two. Conscious, reflective attention is only necessary for reading and for formulation of new messages, but once formulated, the automatic behavioral level mechanism can guide the actual keystrokes, while reflection switches over to the other conversation”

capitulo 6 – Emotional Machines
pag. 188
“Machines that induce emotion in people
(…) perhaps the earliest such experience was the Eliza a computer program developed by the MIT computer scientist Joseph Weizenbaum…”

epilogo – We are all designers
pag. 221

“The trick is to make objects that degrade gracefully, growing old along with their owners in a personal and pleasurable manner. This kind of personalization carries huge emotional significance, enriching our lives. This is a far cry from the mass customization that allows a consumer to choose one of a fixed set of alternatives, but has little or no real personal relevance, little or no emotional value. Emotional value – now that is a worthy goal of design.”

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