A destruição das cidades

Dizia Paulo Morais há cerca de um ano que “é evidente que as pessoas vão para os shoppings porque eles têm hoje as condições de urbanidade que as cidades já não lhes dão, onde há manutenção, onde há limpeza, onde há segurança, onde há parqueamente, etc., onde há vivencialidade urbana“.

Os excelentes trabalhos de Nuno Castelo-Branco aqui no Aventar e de Rui Valente no As Casas do Porto (de onde “roubei” a imagem que ilustra este post) são dois exemplos concretos do que se passa em Lisboa e no Porto, e de certeza que podiamos acrescentar exemplos de (quase) todas as outras cidades do país.

Os motivos que levaram a esta degradação que são habitualmente referidos são, por um lado a legislação que não apoia a renovação e incentiva a compra de casas novas e por outro a lei das rendas que continua a permitir que haja quem pague uns 5 euros por mês por uma casa.

Convém no entanto referir em relação ao segundo ponto que nem essa lei foi caso unico no mundo já que outros países europeus o praticaram, nem ela se aplicou no país todo (só no Porto e em Lisboa) e não é por isso que os centros historicos de Gaia, Matosinhos, para dar dois exemplos que conheço, estão muito melhor que o Porto.

Também o argumento da legislação, esse entrave que emperra toda a nossa sociedade e que aparentemente só se resolve com mais legislação, fica um pouco fragilizado quando olhamos por exemplo para Guimarães. Que lei especial conseguiram eles para a sua cidade que lhes permitiu uma renovação urbana elogiada por todos?

Acho que nenhuma, o segredo, segundo Souto Moura é que a reabilitação só se consegue com bons técnicos e com uma fortíssima vontade política, como houve por exemplo com a reconstrução do Chiado.

(publicado também no Aventar)

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